Os Machado Freire – algumas informações
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Sabe-se que o sobrenome Machado entrou em nossa família por obra e graça do casamento de Catarina Maria de Jesus[1] com Francisco Machado Freire. Desse casamento, brotaram duas filhas: Maria Alexandrina Machado e Ana de Jesus Machado. O pai, Francisco, faleceu com elas ainda em tenra idade, tendo a mãe Catarina se casado em segundas núpcias com Joaquim Carneiro Tavares e gerando uma segunda progênie. Daquelas duas filhas e seus matrimônios nascem grande parte dos Machado que povoaram a Serra de São Pedro, se espalhando depois para Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, entre outras cidades do Brasil, e para o mundo[2].
Tem sido uma dificuldade localizar dados exatos da vida de Francisco Machado Freire. Essa nota visa a registrar alguns dados que até agora alcançamos sobre sua linhagem.
Uma primeira aproximação sobre os Machado Freire, sem que tenhamos a comprovação de que sejam os integrantes de nossa linhagem, buscamos na Nobiliarchia Pernambucana, do gigante Antônio José Vitoriano Borges da Fonseca (que inclusive foi capitão-mor do Ceará na segunda metade do século XVIII). Ali, em duas partes, no “Título dos Monteiros” (p. 76 e seguintes do Volume I da Nobiliarchia Pernambucana) e, a partir da página 171, no “Título da família a que chamam dos 4 cunhados”, vemos aparecer nossos possíveis ancestrais. Vejamos.
Pantaleão Fernandes de Figueiredo, Sargento de Infantaria, veio para Pernambuco para lutar na guerra da Restauração. Tem-se seu termo de Irmão da Misericórdia de Olinda, assinado em 8 de julho de 1657, onde consta ser natural da cidade do Porto e filho de Belchior Fernandes e Cecília Gomes. Em Pernambuco, casou-se com Maria Gomes de Figueiredo, natural do engenho do Rio Formoso na freguesia da Vila Formosa de Serinhaém. Pantaleão Fernandes de Figueiredo e Maria Gomes de Figueiredo foram pais de sete filhas, entre as quais, Cecília Gomes de Figueiredo.
Cecília Gomes de Figueiredo casou-se com João de Brito Guimarães e deste matrimônio nasceram cinco filhos, entre os quais, Joana Gomes de Brito.
Joana Gomes de Brito casou-se com Miguel Machado Fernandes (que seria Miguel Machado Freire (I), no entendimento de especialistas). Segundo Borges da Fonseca, Miguel Machado Fernandes era “homem honrado da Província do Minho, que foi Capitão da Ordenança em Pernambuco e possuiu muitas e boas fazendas de gado na Ribeira do Acaraú desta Capitania do Ceará”.
No Family Search dá-se como irmãos desse Miguel Machado Freire (I) (Fernandes) o tenente José Machado Freire (1670-1751) e Domingos Machado Freire (1672-1754). Precisamente em 3 de agosto de 1702 foi concedida sesmaria na ribeira do Coreaú aos irmãos Domingos e Miguel Machado Freire.
Acresço um parêntese, para agregar que, segundo o estudioso Hélio Ramos, esse Miguel Machado Freire (I) (Fernandes) seria natural da freguesia de São Salvador de Infesta, termo de Bastos, arcebispado de Braga. E seria filho natural de Antônio Machado Freire com uma criada dele chamada Maria Gonçalves.
Em “Subsídios Genealógicos da Família Machado Freire”, de Sônia Lúcia Braga Rangel”, aventa-se que Antônio Machado era escrivão de juiz de fora em Coimbra, inquiridor na vila de Cheleiros, concelho de Mafra, distrito de Lisboa, em 15-7-1747 (data obviamente equivocada), e que era filho de Manoel Gomes Machado. Ainda na obra de Sônia Lúcia Braga Rangel citada, dá-se como outros três filhos de Antônio Machado: Lourenço, Manoel e Luís. Ou seja, aos três primeiros já citados (José, Domingos e Miguel), acrescentam-se esses outros três: Lourenço, Manoel e Luís, dos quais não se tem notícia que teriam vindo ao Brasil. Lourenço foi pai, entre outros, de Maria Machado Freire, que se casou com Carlos José de Sousa. Desse casal provém o padre Félix Machado Freire, visitador eclesiástico para a Vigararia do Ceará em 1735 e vigário da Igreja do Corpo Santo em Recife, de 1749 a 1756. Essas informações merecem maior escrutínio.
É de Domingos Machado Freire, quase certamente, que provém a linhagem Machado Freire da região norte do Ceará. E de seu irmão, Miguel, a linhagem que prevaleceu em Pernambuco, Paraíba e sul do Ceará.
[1] Catarina Maria de Jesus era filha de Manoel Nogueira de Queiroz e Bárbara Doroteia do Bonfim. Esta filha de Pedro Antônio do Bonfim e Leocádia Maria de Jesus. Leocádia, apelidada na família de Mamãe Lucas, proprietária de terras no Sítio Farias, é cultuada como a primeira matriarca da família.
[2] Entre os Machado que se estabeleceram em outros países, destaca-se a família de José Hugo Machado, filho de Francisco de Luna Machado e neto de Maria Alexandrina Machado.
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